Curso Livre de Capacitação em
Psicanálise
É surpreendente quão pequena proporção da vastíssima literatura psicanalítica
é dedicada à técnica psicanalítica e quão menos ainda à teoria da técnica.
Otto Fenichel
Introdução a aula de recuperação
dos Módulos Teoria Psicanalítica I&II -
Se realizará no dia 30 de Agosto
Se realizará no dia 30 de Agosto
Somos, os Psicanalistas, praticantes de uma arte que sendo bastante em si
mesma, vale-se, acessoriamente, de vários outros conhecimentos para atuar na
área humana que é definida como psíquica
e que se caracteriza por ser uma realidade
absoluta de natureza metafísica. Falamos do metafísico apenas para, de
saída, bosquejarmos a dificuldade do nosso trabalho, pois se os males a que nos
contrapomos são reais, tudo o mais que temos de considerar é impalpável e de
complexo acesso, vez que lidamos com o emocional e um emocional, mor das vezes,
desconhecido, inconsciente.
Somos, também, os únicos profissionais que não usamos instrumentos, e,
tratando de pessoas, não as tocamos, não lhes ministramos qualquer droga e nem
ao menos lhes damos conselhos, e, no entanto, as curamos! Daí dizermos que o
nosso ofício é uma arte, desafiadora, é verdade, e que por isso mesmo, exige de
nós uma total dedicação, o máximo de horas de estudos, o máximo de pesquisa, o
máximo de trocas com as comunidades afins.
Tudo que vai escrito nesta introdução resulta de nossas atividades
profissionais e corresponde à experiência de algum tempo de trabalho em clínica
psicanalítica e em análise didática, trabalhos que começaram sob o preocupante
efeito das seguintes palavras de Sigmund Freud:
“Os processos psíquicos são, em si
mesmos, inconscientes e os processos conscientes são atos isolados, frações de
vida psíquica total. Os processo da vida psíquica inconsciente, são dominados,
na maior parte, pelas tendências que podem ser qualificadas de sexuais, no
sentido restrito ou lato do termo. Este último pressuposto é, na realidade, a
característica fundamental da Psicanálise, que consiste, essencialmente, na
tentativa de explicar a vida inteira do homem e não só aquela privativa ou
individual, mas também a pública e a social, recorrendo a uma única força que é
o instinto sexual ou libido, no sentido técnico deste termo.”
Com o fim de apresentar uma contribuição aos interessados em aprender
algo sobre o que norteia o trabalho do Psicanalista enquanto clínico, começamos
por nos definir profissionalmente, mas mesmo assim convém que estabeleçamos as
diferenças que há entre nós, os psiquiatras e os psicólogos: nós, os
psicanalistas, nos concentramos na natureza dos seres humanos e buscamos
compreender o comportamento e a experiência de quem se aproxima de nós, dentro
de um gradiente que varia entre os extremos mais elevados e aqueles mais degradados,
por sabermos que a psicanálise tem tudo a oferecer para a compreensão do
indivíduo e dos seus incontáveis e singulares conflitos. Já os psiquiatras se
detêm na anormalidade sob o ponto de vista médico enquanto que os psicólogos,
atentos a definições rígidas, focam a personalidade, desmontando-a, visando
examinar tudo a partir das conceituações acerca da percepção, da aprendizagem,
da consciência, da memória, da emoção, da atenção e de outros enfoques, não
atentando para a integralidade do ser humano, enquanto que nós, de nossa parte,
vivemos a estudar o desenvolvimento e as suplementações
das teorias propostas e desenvolvidas por SF e as aplicamos nos nossos
pacientes, sabendo que cada caso tem suas vertentes peculiares e por causa
disso mesmo, gastamos muito
do tempo a considerar as mais variadas possibilidades, o que exige muita
atenção, muita leitura e uma bem ajustada compreensão de nós mesmos, sendo que
esta compreensão bem ajustada só é
obtida nas sessões de análise didática, pois é fundamentalmente ético para nós
aplicar, nos nossos paciente, o que em nós foi aplicado e apresentarmo-nos
diante deles somente depois de eliminarmos todos os afetos que, fatalmente,
poderiam causar interferências indesejáveis no nosso trabalho como
profissionais, o que, em termos simples, poderia ficar da seguinte forma:
Psicanalista Clínico-Análise Didática + Leitura Intensiva e Extensiva.
Temos de ter sempre presente que, mesmo sendo dedicadamente estudiosos,
jamais teremos atingido o grau desejável de conhecimento, pois nunca nos
firmaremos num diagnóstico a partir do estudo de peças anatômicas, nem de
filmes radiográficos, nem de exames laboratoriais, nem da descoberta de novas
drogas, nem de testes psicométicos, vez que o nosso paciente é um ser humano ímpar, que veio de um ambiente familiar
ímpar e que se desenvolveu
ajustando-se a condições ímpares,
influenciadas pela maneira ímpar
como ele entendeu o que atuou sobre ele de forma continuada ou então lhe
aconteceu por uma fração de segundo, num abrir e fechar de olhos.
Para terminar estes comentários introdutórios, sinto-me na obrigação de
dizer que aquele que queira estudar Psicanálise para vivê-la em seu
consultório, faça-o com objetividade, escoimando dos textos as bolhas
hiperbólicas e/ou filosóficas que muitos colegas insistem em aditar aos seus
escritos, cujo mérito único é o de demonstrar o quanto exerciam a imaginação e
a ousadia, enquanto que, no dia-a-dia do clínico, se não se pode dizer que
prevalece a prática de uma ciência exata, pode-se, entretanto, demonstrar que
curamos as pessoas, e a cura só é conseguida em cima de conhecimentos que nos
proporcionem técnicas e procedimentos delineados com absoluta nitidez e
objetividade.
Esta apostila foi produzida com a intenção de apresentar referências aos
assuntos, aos quais, de forma extensiva, são apresentados em outros livros.
Procuramos, ao máximo, ser claros, já que o que nos foi solicitado pela SPOB.
“Torne compreensíveis os fundamentos da teoria psicanalítica, fazendo-o,
de tal forma, que esta apostila sirva de introdução á literatura
psicanalítica.”
“Por teoria psicanalítica entendemos ser um conjunto harmônico de
hipóteses acerca do funcionamento e do desenvolvimento da estrutura mental do
ser humano, caracterizando-se por ser, indubitavelmente, a mais importante das
descobertas que se realizaram na área da psicologia humana.
Ao tratarmos de teoria da psicanálise, queremos passar aspectos
conceptuais acerca do que é normal e do que é patológico, pois nos nossos
consultórios, nos votamos para os que se encontram mentalmente enfermos, ou
então, mentalmente perturbados. É por tratarmos da anormalidade, que a teoria
psicanalítica se interessa tanto pelo anormal, quanto pelo patológico.
Ao introduzirmos os assuntos referentes à Psicanálise II, queremos
sugerir aos nossos colegas em formação
que adotem como norma, ante qualquer paciente, atento às queixas apresentadas,
o que nos manda perguntar um outro grande mestre, Charles Brenner:
“Que foi isso que as provocou? Por
que aconteceu assim?”
O método aqui usado foi o de ler os mestres e re-escrever: foi um
trabalho de elaboração, formulado para servir. Tomara que seja útil.
Coordenador; Castilho Sanhudo.
End. Rua Profº Annes
dias,166/103 - fones (51) 84497408 / 3024 7559
e-mail- castilhoss28@hotmail.com - spobpolors@gmail.com

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