INSTITUTO FREIDIANO DE ESTUDOS PSICANALÍTICOS
terça-feira, 22 de outubro de 2024
O Propósito prático da psicanálise
INSTITUTO FREIDIANO DE ESTUDOS PSICANALÍTICO
O propósito prático da psicanálise
"(...) é, na verdade, fortalecer o ego, fazê-lo mais independente do superego, ampliar seu campo de percepção e expandir sua organização, de maneira a poder assenhorear-se de novas partes do id" (Freud, idem).
Para Freud, o principal problema da psique é encontrar maneiras de enfrentar a ansiedade. Esta é provocada por um aumento, esperado ou previsto, da tensão ou desprazer, podendo se desenvolver em qualquer situação (real ou imaginária), quando a ameaça a alguma parte do corpo ou da psique é muito grande para ser ignorada, dominada ou descarregada.
As situações prototípicas que causam ansiedade, segundo Freud, são as seguintes:
a. Perda de um objeto desejado. Por exemplo, uma criança privada de um dos pais, de um amigo íntimo ou de um animal de estimação;
b. Perda de amor. A rejeição ou o fracasso em reconquistar o amor, por exemplo, ou a desaprovação de alguém que lhe importa;
c. Perda de identidade. É o caso, por exemplo, daquilo que Freud chama de medo de castração, da perda de prestígio, de ser ridicularizado em público;
d. Perda de auto-estima. Como exemplo a desaprovação do Superego por atos ou traições que resultam em culpa ou ódio em relação a si mesmo.
A ameaça desses ou de outros eventos causa ansiedade e haveria segundo Freud, dois modos de diminuir a ansiedade. O primeiro modo seria lidando diretamente com a situação. Resolvemos problemas, superamos obstáculos, enfrentamos ou fugimos de ameaças, e chegamos a termo de um problema a fim de minimizar seu impacto. Desta forma, lutamos para eliminar dificuldades e diminuir probabilidades de sua repetição, reduzindo, assim, as perspectivas de ansiedade adicional no futuro.
A outra forma de defesa contra a ansiedade deforma ou nega a própria situação. O Ego protege a personalidade contra a ameaça, falsificando a natureza desta. Os modos pelos quais se dão as distorções são denominados Mecanismos de Defesa.
A meta fundamental da psique é manter e recuperar, quando perdido, um nível aceitável de equilíbrio dinâmico que maximiza o prazer e minimiza o desprazer. A energia que é usada para acionar o sistema nasce no Id, que é de natureza primitiva, instintiva.
O Ego, emergindo do Id, existe para lidar realisticamente com as pulsões básicas do Id e também age como mediador entre as forças que operam no Id e no Superego e as exigências da realidade externa. O Superego, emergindo do Ego, atua como um freio moral ou força contrária aos interesses práticos do Ego. Ele fixa uma série de normas que definem e limitam a flexibilidade deste último. O Id é inteiramente inconsciente, o Ego e o Superego o são em parte.
"Grande parte do ego e do superego pode permanecer inconsciente e é normalmente inconsciente. Isto é, a pessoa nada sabe dos conteúdos dos mesmos e é necessário despender esforços para torná-los conscientes" (FREUD, 1933).
Diretor Presidente - Castilho S. Sanhudo
Psicanalista Didata
quarta-feira, 5 de junho de 2024
Mas onde se pretende chegar através da psicanálise?
INSTITUTO FREIDIANO DE ESTUDOS PSICANALÍTICO
Mas onde se pretende chegar através da
psicanálise?
CURSO LIVRE DE FORMAÇÃO EM PSICANÁLISE
Inicialmente seria interessante entender a
diferença entre terapias e psicanálise, antes de nos aprofundarmos no conceito
do que vem a ser psicanálise. Para tanto pode-se lançar mão de um antigo
ditado: "Todos os caminhos levam a Roma". As terapias seriam todos os
caminhos e a psicanálise seria um deles.
A psicanálise portanto é um tipo de terapia,
que possui um campo teórico e técnicas que lhe são particulares.
Mas onde se pretende chegar através da
psicanálise? Aqueles que se dispõem trilhar esse caminho o iniciam por diversos
motivos: autoconhecimento, angústias, depressão, sintomas físicos dos mais
diversos sem origem conhecida, etc... Porém mais importante de onde se parte é
para onde se deseja chegar. Nesse sentido a psicanálise é um processo de autoconhecimento,
é a análise de si mesmo com a ajuda de um profissional - o psicanalista.
De forma geral os sintomas, seja qual a forma
que ele tome na vida de uma pessoa, são substitutos de processos inconscientes,
traumas, desejos não revelados, etc... que permanecem a margem de nosso
conhecimento. Quando tomamos contato com eles e os integramos de forma
harmônica ao nosso psiquismo, os sintomas tendem a desaparecer. Nem sempre esse
processo é prazeroso, e é uma verdade que muitas vezes ele é difícil, mas que
no fim é extremamente compensador.
A
psicanálise portanto é um processo de "re-construção" de nós mesmos,
escolhendo caminhos que muitas vezes estavam fechados, e com isso abrindo
caminho para a mudança de nosso futuro. É importante entender e frisar que como
toda terapia da fala, o desejo do paciente pela mudança é a força motora do
processo, e que sem esse nada pode acontecer.
A psicanálise numa única frase é a
investigação do inconsciente.
Breve História da Psicanálise
Muitos autores costumam situar o início da
psicanálise por volta do século XIX, com os trabalhos de Pinel e Charcot, dois
ilustres psiquiatras. Pessoalmente prefiro localizar as raízes da psicanálise
nos gregos antigos, com o início da filosofia.
Freud define em várias passagens que uma das
missões da psicanálise seria levar o ego (nosso processos mentais conscientes)
onde está o ID (nossos processos mentais inconscientes). Se o objetivo para os
gregos da filosofia era levar a razão onde estava o mito, então podemos
localizar o gene da psicanálise, a primeira tentativa de autoconhecimento nos
antigos gregos. "Conhece-te a ti mesmo" - aqui reside a máxima da
psicanálise.
Foi a partir do gênio de Sigmund Freud que a
psicanálise tomou a forma que a define e a distingue de outros tipos de
psicoterapia até hoje. A partir dos seus estudos sobre o inconsciente, os
sonhos, a sexualidade infantil, a transferência, a repressão, as resistências
as psicopatologias como neuroses obsessivas e histerias puderam ser tratadas de
forma satisfatória, devolvendo qualidade de vida para esses doentes.
Freud escreveu uma vastíssima obra por mais
de quarenta anos. Sua obra engloba estudos de psicologia, sexualidade,
antropologia e até mesmo crítica literária. Como tratou de todos esses assuntos
sobre uma ótica psicanalítica, ele acabou por fundar uma ciência distinta de
outras, apesar de que por mais de cem anos, outras ciências como a psicologia e
a psiquiatria reivindicam a si a primazia sobre a psicanálise. Mas é importante
frisar que a psicanálise é uma ciência livre, com formação específica para seus
profissionais, não devendo ser confundida com a psicologia ou a psiquiatria. O
psicanalista não é psicólogo tampouco psiquiatra - não existe especialidade
médica nesse sentido. Existem médicos E psicanalistas, psicólogos E
psicanalistas, engenheiros E psicanalistas, em suma, quando se pratica a
psicanálise se é um psicanalista, e nada mais.
A formação do psicanalista se assenta naquilo
que Freud chamou de "tripé da psicanálise": o psicanalista precisa
ter um sólido conhecimento teórico, estar em constante análise pessoal e
supervisão de seus casos clínicos. A formação de um psicanalista demanda anos
de muita dedicação, de análise pessoal geralmente superior a cinco anos de
análise pessoal duas a quatro vezes por semana, e constante supervisão. É uma
formação que jamais está completa: quanto mais experientes for o psicanalista,
mais ele sabe da importância de manter-se firme no "tripé
psicanalítico".
Outras escolas psicanalíticas surgiram do
berço freudiano, algumas acrescentando, outras alterando, mas nenhuma rompendo
com a obra de Freud. Mas esse fato não se dá por uma idolatria a obra de Freud,
mas por sua qualidade, que atravessa o tempo e até hoje, conceitos como
inconsciente são utilizados, ainda que com variações, são a base da
psicanálise. Esse, aliás, é um dos critérios para se diferenciar se uma terapia
é ou não psicanálise - se a terapia tem suas bases na obra de Freud.
As principais contribuições que seguiram a
Freud foram feitas pelas seguintes escolas:
Melanie Klein - a partir de seus estudos com
crianças, Klein fundamentou a psicanálise infantil, que até hoje permanece a
mesma, com pequenas contribuições de outros autores. Klein também contribuiu
para o melhor entendimento do psiquismo de recém nascidos, ampliando o campo de
atuação da psicanálise, permitindo o tratamento de psicóticos.
D. Winnicot - a partir de seus trabalhos em
pediatria, Winnicot contribuiu para aprofundamento do entendimento sobre o
psiquismo da criança, em especial a importância que o ambiente e seus processos
de maturação nesse desenvolvimento.
Lacan - Importantes contribuições foram
feitas por esse psicanalista, que a partir de uma releitura da obra de Freud,
aliada a uma instigante mistura com Hegel e Heidegger, reformulou muitos dos
fundamentos do mestre, como por exemplo, a constituição como uma estrutura de
linguagem. O seu trabalho aprofundou o entendimento e o tratamento da mente
psicótica. Existem vários outros autores que contribuíram de forma tanto quanto
significativa como por exemplo W. Bion, M. Mahler entre outros.
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